Receber o diagnóstico ou perceber a presença de um caroço perto da orelha gera, quase que instantaneamente, um sentimento profundo de vulnerabilidade, medo e insegurança. O primeiro pensamento que invade a mente frequentemente envolve cirurgias agressivas, a possibilidade de cicatrizes visíveis no rosto ou o impacto devastador que uma doença mais grave poderia ter na sua vida e na estrutura da sua família. Essa angústia é completamente real e válida, mas quero dizer a você que não precisa passar por ela sozinho, nem carregar o peso da incerteza sem informações claras e seguras.
Como Dr. Robledo Alievi, dedico minha trajetória médica a compreender e tratar patologias cervicais e faciais, atuando como cirurgião de cabeça e pescoço no RS. Aprendi ao longo de anos de prática que tratar uma doença não é apenas olhar para laudos e exames de imagem frios. Minha avaliação sempre começa por escutar a sua história de vida, as suas preocupações e examinar você detalhadamente. Acredito firmemente que o tratamento do humano vem antes do tratamento da imagem. Se você encontrou um nódulo na região da face ou do pescoço, convido você a ler este material com calma. Vamos caminhar juntos pelas respostas que você procura, entendendo a anatomia, as possibilidades diagnósticas e os caminhos terapêuticos mais modernos e seguros disponíveis atualmente.
Quando um paciente chega ao meu consultório relatando um aumento de volume na lateral do rosto, logo à frente ou abaixo da orelha, a primeira estrutura anatômica que investigamos é a glândula parótida. As glândulas parótidas são as maiores glândulas salivares do nosso corpo. Elas estão localizadas bilateralmente, exatamente na região descrita, e são responsáveis por produzir grande parte da saliva que umedece nossa boca, auxiliando na mastigação, na deglutição e na digestão inicial dos alimentos.
Entretanto, é fundamental esclarecer desde o princípio: nem todo caroço perto da orelha é um tumor na glândula parótida. A região cervical e facial é extremamente rica em estruturas linfáticas. Portanto, um inchaço nessa área pode representar linfonodos reacionais (as populares "ínguas"), que aumentam de tamanho em resposta a infecções virais, bacterianas, problemas dentários ou até mesmo lesões no couro cabeludo e na pele da face. Além disso, cistos benignos, infecções da própria glândula (parotidites) ou cálculos salivares (pedras nos canais da saliva) também podem causar nódulos e inchaços dolorosos.
Quando descartamos processos infecciosos ou inflamatórios simples e confirmamos que a massa se origina do tecido glandular, passamos a investigar a possibilidade de uma neoplasia, ou seja, um tumor parotídeo. Na medicina, a palavra "tumor" significa simplesmente o aumento de volume ou o crescimento de um tecido, não sendo sinônimo automático de câncer. De fato, a imensa maioria dos tumores que se desenvolvem na glândula parótida – cerca de oitenta por cento deles – são lesões estritamente benignas, que não se espalham para outros órgãos e apresentam excelentes taxas de cura quando adequadamente conduzidos.
A apresentação clínica de um tumor na parótida costuma ser bastante silenciosa nas suas fases iniciais. Na maioria absoluta dos casos, o paciente ou um familiar nota uma assimetria no rosto, um pequeno caroço indolor, firme, localizado logo à frente do lóbulo da orelha ou na transição para o pescoço. Esse nódulo costuma apresentar um crescimento lento, insidioso, muitas vezes levando meses ou até anos para chamar a atenção de forma significativa.
Como a queixa estética costuma ser o único sintoma inicial, não é incomum que os pacientes adiem a busca por atendimento médico especializado, temendo o que podem descobrir. No entanto, existem alguns sinais de alerta que exigem uma avaliação imediata com um cirurgião de cabeça e pescoço. Estes incluem:
A presença de fraqueza facial é um sinal clínico de extrema importância, pois indica que o tumor pode estar interferindo no nervo facial, estrutura nervosa crucial que atravessa o interior da glândula parótida. Quando atendo famílias buscando uma segunda opinião para cirurgia de cabeça e pescoço, faço questão de avaliar meticulosamente a função de todos os ramos deste nervo logo na primeira consulta.
A diferenciação entre tumores benignos e malignos da glândula parótida requer uma investigação metódica e muito cuidadosa. Como mencionei anteriormente, a ordem rigorosa da avaliação é inegociável na minha prática: ouvir atentamente a narrativa do paciente, realizar um exame físico minucioso (palpação do nódulo, avaliação da motricidade facial, palpação do pescoço em busca de linfonodos) e, apenas por último, analisar os exames complementares.
Os principais exames de imagem utilizados na nossa rotina são a ultrassonografia cervical e a ressonância magnética da face e pescoço. A ultrassonografia é um excelente exame inicial, não invasivo, que nos permite distinguir se o nódulo é cístico (preenchido por líquido) ou sólido, além de avaliar a vascularização e as margens da lesão. Para um planejamento cirúrgico de excelência, no entanto, a ressonância magnética é frequentemente o exame padrão-ouro. Ela fornece imagens em alta resolução que delineiam exatamente a relação do tumor com os lobos superficial e profundo da parótida, com os vasos sanguíneos da região e, indiretamente, com o trajeto do nervo facial.
Para obter o diagnóstico celular antes de qualquer procedimento maior, realizamos a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) guiada por ultrassom. Este é um procedimento rápido, feito no próprio ambiente ambulatorial, onde utilizamos uma agulha muito fina (semelhante às utilizadas para vacinas) para coletar algumas células do nódulo. O material é enviado para um médico patologista, que o analisa no microscópio. Embora a PAAF possa causar certa ansiedade, ela é bastante tolerável e fornece informações essenciais para definir a extensão e a urgência do tratamento.
Entre os tumores benignos, o mais comum é o Adenoma Pleomórfico, seguido pelo Tumor de Warthin. Já entre os tumores malignos (câncer de glândula salivar), podemos encontrar o Carcinoma Mucoepidermoide, o Carcinoma Adenoide Cístico, entre outros. Cada tipo histológico exige uma conduta cirúrgica e oncológica específica, desenhada sob medida para o paciente.
Muitos pacientes chegam ao consultório aflitos, tentando encontrar uma justificativa em seus hábitos de vida para o surgimento do caroço. É importante tranquilizar o paciente: a grande maioria dos tumores de parótida surge de forma esporádica, sem uma causa direta e controlável que possa gerar culpa.
No entanto, a ciência identifica alguns fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento dessas neoplasias. A exposição prévia a radiações ionizantes na região da cabeça e pescoço (como tratamentos radioterápicos antigos para outras condições ou exposição ambiental) é um fator de risco documentado. A idade avançada também é um fator, visto que a incidência aumenta progressivamente a partir da quinta década de vida.
O tabagismo está diretamente correlacionado a um tipo específico de tumor benigno da parótida, o Tumor de Warthin, que frequentemente acomete fumantes e pode até mesmo surgir nas duas parótidas simultaneamente (bilateralidade). Atuando como especialista em câncer de laringe e cavidade oral, vejo diariamente o impacto devastador do cigarro. É meu dever orientar que a cessação do tabagismo não apenas reduz o risco de complicações em cirurgia de glândulas salivares, mas também protege o indivíduo de uma série de tumores muito mais agressivos no trato aerodigestivo superior.
O tratamento definitivo para a imensa maioria dos tumores de parótida, sejam eles benignos ou malignos, é a remoção cirúrgica, um procedimento conhecido como parotidectomia. A indicação cirúrgica até mesmo para tumores benignos (como o Adenoma Pleomórfico) fundamenta-se em dois motivos principais: o primeiro é que esses tumores tendem a crescer progressivamente, podendo atingir dimensões gigantescas e causar graves deformidades faciais se deixados sem tratamento; o segundo motivo é que, com o passar dos anos, o adenoma benigno carrega um risco de se transformar em um câncer agressivo, chamado de carcinoma ex-adenoma pleomórfico.
A cirurgia de glândulas salivares é considerada um dos procedimentos mais delicados, artísticos e de alta complexidade na especialidade de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. A razão para tamanha complexidade reside em um "fio" anatômico de extrema nobreza: o nervo facial. Este nervo emerge do crânio, entra na glândula parótida e imediatamente se divide em dezenas de pequenos ramos (como os galhos de uma árvore), responsáveis por comandar todos os músculos da mímica facial de um lado do rosto – desde o movimento de enrugar a testa, fechar os olhos, até o ato de sorrir e movimentar os lábios.
A glândula parótida repousa sobre e entre esses ramos nervosos. Portanto, o trabalho do cirurgião consiste em realizar uma dissecção meticulosa e microscópica, identificando o tronco principal do nervo e cada um de seus minúsculos galhos, separando-os do tumor com preservação máxima da função. Para tumores benignos e tumores malignos iniciais, realizamos a parotidectomia superficial (remoção da parte da glândula que fica acima do nervo). Para tumores mais profundos ou malignos avançados, pode ser necessária a parotidectomia total, sempre buscando, quando oncologicamente viável, a preservação do nervo.
Para garantir a máxima segurança, em cirurgias de alta complexidade, utilizamos tecnologia de ponta, como a Monitorização Eletrofisiológica Intraoperatória. Este equipamento permite monitorar a integridade funcional do nervo facial em tempo real durante todo o ato cirúrgico. Cada milímetro dissecado é testado e confirmado, trazendo uma segurança imensurável tanto para mim, como cirurgião, quanto para o paciente e sua família que aguardam ansiosos o fim da cirurgia.
Uma preocupação frequente e absolutamente compreensível dos pacientes é em relação às cicatrizes na face. A face é nossa principal ferramenta de conexão com o mundo; é a nossa identidade. Como cirurgião, considero o resultado estético e funcional inseparável do sucesso oncológico.
A via de acesso clássica para a parotidectomia utiliza uma incisão desenhada com base nos princípios da cirurgia plástica facial, muito semelhante à incisão de um "lifting" facial (ritidoplastia). A cicatriz acompanha as dobras naturais da pele, descendo à frente da orelha, contornando o lóbulo por trás e descendo suavemente para a linha do cabelo ou para a parte superior do pescoço. Com o passar dos meses e com cuidados adequados, ela se torna quase imperceptível em grande parte dos casos.
Minha experiência pioneira no Rio Grande do Sul com tratamentos modernos, como o tratamento minimamente invasivo tireoide, incluindo a ablação percutânea de nódulo de tireoide, moldou minha visão de que a medicina cervical deve sempre buscar a menor agressão possível sem comprometer a eficácia. Essa mesma filosofia aplico na cirurgia de parótida. Nos casos em que o tumor maligno exige a ressecção de tecidos mais amplos, incluindo pele ou músculos, aplicamos os mesmos preceitos de reconstrução facial pós câncer de pele, garantindo retalhos e enxertos que devolvem o contorno e a harmonia facial ao paciente. Da mesma forma, lidamos com malformação congênita no pescoço tratamento, que exige um olhar estético apurado desde a infância.
A vasta experiência em oncologia cirúrgica de alta complexidade – abrangendo desde a cirurgia para câncer de tireoide até ressecções extensas – fornece o embasamento anatômico e cirúrgico necessário para lidar com qualquer imprevisto intraoperatório com tranquilidade e precisão.
O impacto de ouvir palavras como "nódulo", "tumor" ou "biópsia" paralisa qualquer ser humano. Na Clínica Vitaro Ijuí RS, que se consolidou como um polo de oncologia cirúrgica em Ijuí, desenhamos uma jornada de cuidado completamente baseada no acolhimento. O atendimento humanizado não é apenas um conceito teórico para nós; é a prática diária que se inicia já na sala de espera.
Faço questão de ir pessoalmente à recepção, chamar o paciente pelo nome, cumprimentar seus familiares e trazê-los para o ambiente de consulta. Quando o paciente se senta na cadeira diante de mim, a primeira etapa é a escuta. Nossas consultas duram mais de uma hora. Preciso entender quem é a pessoa por trás da doença. Como essa descoberta impactou seu sono? Quais são os seus maiores medos? A partir dessa conexão emocional estabelecida de forma ética e transparente, seguimos para o exame físico e a avaliação dos laudos.
Nosso compromisso é o acompanhamento lado a lado. Desde o diagnóstico, passando pelo planejamento cirúrgico minucioso, acompanhamento hospitalar, até o cuidado no pós-operatório. Para famílias que residem distante e precisam de orientação prévia, oferecemos atendimento completo através da telemedicina, encurtando distâncias geográficas e facilitando o acesso ao especialista.
Não. Muitos inchaços perto da orelha são linfonodos inflamados (ínguas) devido a processos infecciosos leves, como infecções de garganta, ouvido ou pele. Esses casos se resolvem sozinhos ou com tratamento clínico. A cirurgia é indicada após uma avaliação médica criteriosa que identifica um nódulo suspeito ou confirmado na glândula parótida.
Este é o maior temor dos pacientes. O nervo facial passa por dentro da glândula parótida, tornando a cirurgia delicada. No entanto, o objetivo principal do cirurgião de cabeça e pescoço é preservar esse nervo a todo custo. Pode ocorrer uma fraqueza temporária dos músculos da face (neuropraxia) devido à manipulação do nervo, mas na grande maioria dos casos benignos e em mãos experientes com o uso de monitorização intraoperatória, a função retorna ao normal com o tempo e a fisioterapia.
Não. O uso de agulha fina para a aspiração de células de um nódulo na região da cabeça e pescoço é um procedimento consagrado mundialmente, extremamente seguro e que não altera o curso da doença, não promovendo o espalhamento das células tumorais.
Tumores benignos da parótida, especialmente o adenoma pleomórfico, continuam crescendo indefinidamente. Com o aumento do tamanho, eles podem deformar o rosto, dificultar a cirurgia futuramente por abraçarem o nervo facial e, mais perigoso, possuem um risco de cerca de 5% a 10% de se transformarem em um câncer agressivo ao longo de 10 a 15 anos.
Sim. A especialidade de cirurgia de cabeça e pescoço trata uma vasta gama de patologias. Como especialista, atuo desde problemas da tireoide (incluindo câncer e cirurgia de nódulo na tireoide), glândulas salivares, tratamento de lesões malignas da boca, laringe e faringe, até opções de tratamento câncer de pele no rosto, incluindo reconstrução complexa.
Realizo meus atendimentos presenciais na Clínica Vitaro, focando em alta complexidade e oncologia, localizada em Ijuí, no Rio Grande do Sul. Pacientes de todo o estado do Rio Grande do Sul e de outras localidades também são atendidos por telemedicina.
O rigor científico e o compromisso ético são pilares da minha atuação profissional. O conteúdo deste artigo reflete as melhores e mais atualizadas práticas da medicina mundial baseada em evidências sólidas.
Receber o diagnóstico de um problema que demanda cirurgia na face ou pescoço é um desafio emocional tremendo. No entanto, é fundamental que você saiba que a ciência médica atual dispõe de ferramentas avançadas para lhe proporcionar a cura com preservação da sua qualidade de vida, funcionalidade e autoestima.
Se você descobriu um caroço perto da orelha ou no pescoço, ou caso algum familiar precise de uma avaliação especializada após um diagnóstico difícil, não hesite em buscar ajuda. A medicina só atinge seu objetivo final quando a excelência do bisturi encontra o conforto da empatia. Estamos de portas abertas na Clínica Vitaro para oferecer uma avaliação ética, segura e profundamente humana, seja de forma presencial em Ijuí ou através da telemedicina.